Avançar para o conteúdo principal

Os negócios da Arábia - Emanuel Lomelino

Imagem uol

Há um par de meses escrevi sobre aquilo que me parecia um plano bem elaborado para alterar o paradigma do futebol moderno.

Tal como escrevi na altura, a Arábia Saudita está a investir pesado na contratação de craques da bola e Cristiano Ronaldo foi apenas a ponta de um gigantesco iceberg.

Escapou Messi, mas, entretanto, Sané e Neymar encabeçam uma longa lista de nomes que deixarão o seu perfume no oriente. E essa lista tem estado a crescer diariamente.

É certo que, por agora, o investimento tem sido feito em jogadores que estão perto de finalizar as carreiras, no entanto, quanto mais nomes relevantes forem para aquelas paragens mais fácil será atrair, no futuro, estrelas emergentes.

Creio que o primeiro objectivo dos sauditas está alcançado e a Liga local será mais competitiva e atrairá mais atenção global pelos nomes que a compõem.

O segundo objectivo – domínio dos clubes árabes nas competições regionais e continentais - também vai bem encaminhado, como demonstra a recente conquista da Champions Árabe pelo Al-Nassr, de CR7.

Acho que a imprensa ocidental tem recebido este fenómeno de ânimo leve e ainda não parou para refletir seriamente em todas as consequências. Uns, os europeus, porque a razia tem sido feita com os “trintões”, outros, nas américas, porque culturalmente têm enraizada a ideia de que só eles e os grandes clubes europeus têm qualidade futebolística e tudo o resto é lixo. Mas as coisas não são assim.

O reflexo desta nova realidade recairá primeiro sobre o futebol das américas, que já tem problemas em ser competitivo contra os clubes europeus e agora será inevitavelmente superado pela nova força árabe, como veremos em futuras edições do Mundial de clubes.

Já na Europa, esta situação pode fazer renascer a ideia de criação da Superliga, ou um modelo competitivo, mas sobretudo financeiro, semelhante, que permita aos clubes das ligas mais fortes manterem os jogadores de topo e estancar a sangria que se prevê (ou devia prever), mais não seja porque existem outros países na região com capacidade financeira para fazerem o mesmo que os sauditas.

A procissão ainda vai no adro e não estarei errado ao considerar que este tema voltará a ser alvo de textos futuros.

Leiam o primeiro texto que escrevi sobre esta temática neste link

Leiam mais textos com a etiqueta FUTEBOL neste link

Acompanhem-nos no Twitter e no Facebook

Comentários

Mensagens populares deste blogue

No lado errado da estrada - Emanuel Lomelino

Imagem UOL Não há quem possa colocar em causa o talento, com laivos de genialidade, de Neymar, no entanto, por culpa de astros anteriores, e até contemporâneos, ser craque exige muito mais do que a qualidade em campo. Podem existir muitas razões para explicar a instabilidade de Neymar, mas a mais óbvia está umbilicalmente ligada à sua necessidade, quase obsessão, em andar nas bocas do mundo, a toda a hora. Desde muito cedo na sua carreira, e talvez por isso, ficou evidente a falta de formação humana que lhe deviam ter incutido. Ao contrário de outros grandes jogadores, Neymar nunca quis abdicar de uma vida boémia, qual menino mimado, para se dedicar de alma e coração à carreira escolhida. Só que essa recusa tem um preço a pagar. Mais ainda se a tudo isto juntarmos o facto de, no mesmo espaço temporal, existirem Messi e Ronaldo, e agora terem aparecido Mbappé e Haaland. Neymar até não tem sido menos “bad boy” que outros craques do passado, como Romário ou Ronaldinho Gaúcho, mas

Uma Vez Flamengo... - Adriana Mayrinck

Pintinho em um Fla x Flu. Foto do seu arquivo pessoal Flamengo e Fluminense (fotos retiradas da internet) Uma lembrança longínqua, não sei ao certo a minha idade, talvez cinco ou seis anos. Lembro-me dos detalhes da sala, do tapete em que eu ficava deitada em almofadões, com as minhas botas vermelhas, a poltrona do “papai” como era chamada, aquele lugar que só o meu avô podia sentar, ao lado de uma mesinha com tampo de mármore, sempre com um copo de cerveja Skol e uma latinha ao lado, em frente a uma TV. Não lembro quase nada dessa época, algumas coisas muito pontuais, talvez por tantas vezes ver as fotografias, no tempo que morei no apartamento dos meus avós, na Gonçalo de Castro, enquanto a nossa casa era construída, em um condomínio ASBAC, na Granja Comary, em Teresópolis. Mas lembro que andava pelos calçadões de Copacabana com os meus três anos de idade, lembro do balanço na pracinha Serzedelo Correia, quando, recém-chegada de Recife, onde nasci, aprendi a amar aquele bairro. P

Surpresa ou início de novo ciclo - Emanuel Lomelino

Imagem A Bola (José Lorvão) Vivemos um tempo atípico e, tal como está a acontecer noutras áreas, por todo o mundo, também o futebol está a ser influenciado por essa falta de normalidade. No caso português, e considerando as últimas quatro décadas, fica um pouco estranho ver o Sporting Clube de Portugal na liderança do campeonato, mais ainda com a vantagem pontual tão acentuada. É certo que ainda agora começou a segunda volta e faltam muitos jogos. Também é verdade que as outras equipas têm estado aquém do esperado. No entanto, não deixa de ser surpreendente um domínio tão avassalador. Como se explica que esta equipa, quase na totalidade composta por jovens jogadores da formação, com um treinador também em início de carreira, sem qualquer fora de série, e que inicialmente nem era vista como candidata a ganhar troféus, demonstra em campo, jornada após jornada, este nível de competência? Mesmo sendo adepto do Sporting , e estar a deliciar-me com a forma como a época está a deco